Apesar de muitos blogues abordarem quase todas as variações possíveis sobre o afectivo, o abstracto e o material, decidi abrir este. Sem invocar as razões que subjazem a esta decisão, defendo a inconformação face à banditicidade, alegre, ingénua ou consciente, que uns obram na extracção do melhor da vida dos outros. Todos temos algum testemunho pessoal a dar sobre enganos, aliciamentos, informações erradas e manipulações afectivas. Analisemos, filosoficamente, os casos que queiram expor.
sábado, 28 de junho de 2014
quinta-feira, 26 de junho de 2014
As pessoas prontas a causar estragos em nome de um «bem» qualquer são tão indesejáveis como uma doença. Se considerarmos que o ciclo da vida se completa com ou sem doença, que adianta a doença? Tal como se todas estão assim destinadas para quê o terrorismo antecipar-lhes o fim? Será, inconscientemente, que as pessoas para perseguir um «bem» obscuro têm de se destruir mutuamente, tal como, afinal, as «mónadas» leibnizianas também por qualquer determinação desconhecida perseguem um «bem» que as dispõe a causar doenças no próprio corpo que em conjunto aglutinaram? Oximóron...
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Cuidado! Não há políticos! Os homens que surgem nas campanhas eleitorais são escolhidos após avaliação e auscultação por quem manda e se preenchem os requisitos pretendidos então recebem autorização e apoio financeiro para se apresentar como candidatos. Portanto, seria um acto de grande patriotismo nas próximas eleições todos votarem nos partidos pequeninos. Os pequeninos eventualmente eleitos, correrão perigo de vida, mas mesmo assim um risco inferior ao assumido por dezenas de milhar de portugueses que, patrioticamente, sem tugir nem mugir, o correram desde a primeira GG até à guerra das colónias. Se não for por este caminho, alguma coisa mudará? Temos de confiar na constituição, no Tribunal Constitucional e nas Forças Armadas que atentas não permitirão derivas ideológicas.
domingo, 15 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
2014jun10
No programa Sociedade Civil de hoje (um dos melhores programas de toda a RTP), Jorge Morais afirmou que Portugal é um excelente país com um povo ótimo e, por tradição, vítima de gestores incompetentes. Todos concordamos. Factual há muito tempo. Um outro interveniente (pessoa interessante cujo nome não me ocorre) contrapôs: o problema reside na aposta eleitoral, porque, apesar de os propostos não serem escolhidos pelos portugueses - pois são escolhidos pelos «poderes económicos» - são os portugueses quem lá os põe com o seu voto. Também nisto todos estamos de acordo. Factual! Então, o que nos falta é a coragem de quebrar falsas fidelidades, apostar no diferente e eleger outros que não os propostos. O que é que queremos? Temos medo do PC, do BE, dos Verdes? Daquele? Daqueloutro? O Porto não hesitou ao eleger um independente! Quem sabe quantas boas governações perdidas se antes tivéssemos tido coragem? O segredo: Votar no diferente! Não há que ter medo. A própria estrutura do Estado e suas instituições (por exemplo as forças armadas) segundo a Constituição regulam e freiam aventuras não democráticas. Se votarem nos seus interesses os portugueses obrigam os partidos a respeitá-los e atuar em conformidade.
Nas próximas vamos todos fazer a diferença: perante tanta incompetência - designação suave - qualquer outro pode ser melhor...
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Que sei eu? O que anda é o tapete (rolante) e não a pessoa… porém, apesar disso e por isso, a pessoa anda junto com ele. Nele começamos e nele terminamos como começamos, parados. A coesão universal, simples, espontânea e insuperável é para Leibniz, o Amor; para Kant, o indeterminado «imperativo categórico»; para Galileu, a gravidade; para Nietzsche, o «eterno retorno» …
Algo tem de mudar para que tudo continue como foi, sempre!
Responsab ilização
2014mai31
2014mai07- Adriano Moreira há anos numa entrevista falou da sua relação com Oliveira Salazar. Contou que Salazar queria ouvir pessoalmente as teses que vinha defendendo e escrevendo sobre a melhoria de vida dos naturais do ultramar. Salazar convidou-o a visitar esses territórios – despesas pagas - e a fazer um relatório que refletisse a aplicação das suas ideias. Aceitou o relatório e nomeou um oficial general para dar força ao projeto, continuando todavia Adriano Moreira como responsável factual pela execução e reportando-lhe diretamente. Meses depois Salazar volta a chamá-lo e diz-lhe que há medidas que tem de abandonar. Adriano respondeu que só com a aplicação completa do seu programa se responsabilizaria por ele ou então outra pessoa se encarregue de o executar. Salazar insistiu e acabou por se explicar: Não posso aplicar o seu programa tal como o propõe porque os sustentáculos do seu governo se opuseram seriamente a algumas medidas. Adriano desistiu e o programa não foi por diante. A resposta de Salazar prova que, apesar da fama de ditador para o povo, tinha de negociar quaisquer medidas que brigassem com os interesses que o apoiavam. Conclusão: Houve, há e haverá sempre «famílias» em todas as áreas da governação, sejam pelo sangue, pela oportunidade ou pelo dinheiro. Por razões de ordem natural – mormente bio genéticas – o ser humano não pode possuir os atributos que as religiões outorgam a seu Deus, i.e., omnisciência, omnipresença ou omnipotência. O homem é aquilo que é: animal cárnico quente, perecível, que sobrevive pela ingestão de plantas e de outros seres, exatamente como sucede a qualquer outro animal, diferenciando-se, justamente, numa memória muito mais ampla e nas possibilidades mecânicas de articular sons e fazer objetos. E estas pequenas diferenças têm-nas usado, estupidamente, na destruição sistemática do próprio ambiente que lhe fornece grátis todo o alimento que lhe é vital. .
Procuro compreender porquê se enveredou por esta forma de
governação e não outra.
Para Jean-Jacques Rousseau a índole do indivíduo define-se até cerca dos 12
anos. O que vem seguir e permanece em camadas sucessivas são os hábitos moldados pelas imposições sociais e profissionais. Desta maneira o que factualmente distingue os indivíduos é a «aparência» que o hábito molda.
Todavia, há um outro aspeto que parece passar despercebido: os indivíduos que chegam ao poder - já determinados em o exercer - acedem, por inerência, a conhecimentos e treino especializados na utilização da aparência subliminal - gestos, palavras, silêncios, pausas - para
salvaguardarem os interesses que os catapultaram. E, evidentemente, saborear, sem custos, a real adrenalina das regalias inerentes ao poder. Este é o exemplo que têm recebido e que procuram seguir. Porquê fazer diferente?
Portanto, o candidato que pretenda introduzir mudanças no sistema
não só tem de sofrer violências pessoais, como tolerar abusos contra os interesses das
pessoas (leia-se do País) sem os poder denunciar pelo risco pessoal que isso acarretaria e ainda governar sem o apoio dado aos seguidistas. Ora, sem apoios, como selecionar cidadãos «decentes» que façam a
diferença? E se os aceitarem não irão ser vitimados pelas mesmas situações que
fundamentam as críticas?
A política não devia ser uma ocupação reservada a amigos, ociosos e
oportunistas. Depois de quatro ou oito anos embolsam largos benefícios pagos pelo País independentemente dos bons ou maus resultados da governação. Esta devia ser profissionalizada para uma justa e adequada responsabilização ou aprovação dos atores. As eleições continuariam, os melhores
permaneceriam e os outros passariam a desempenhar quaisquer outros serviços na
hierarquia do estado de acordo com as capacidades demonstradas s sem direito a herdarem os privilégios inerentes ao cargo abandonado. Diz-se que a dignidade do cargo deve acompanhar o individuo durante o resto da sua vida. Então, e qual é a dignidade do cidadão esportulado que não só produz como é o real garante da própria existência do País?
A honra
de servir o País tem de ser recompensa bastante para qualquer
cidadão. 2014mai07- Adriano Moreira há anos numa entrevista falou da sua relação com Oliveira Salazar. Contou que Salazar queria ouvir pessoalmente as teses que vinha defendendo e escrevendo sobre a melhoria de vida dos naturais do ultramar. Salazar convidou-o a visitar esses territórios – despesas pagas - e a fazer um relatório que refletisse a aplicação das suas ideias. Aceitou o relatório e nomeou um oficial general para dar força ao projeto, continuando todavia Adriano Moreira como responsável factual pela execução e reportando-lhe diretamente. Meses depois Salazar volta a chamá-lo e diz-lhe que há medidas que tem de abandonar. Adriano respondeu que só com a aplicação completa do seu programa se responsabilizaria por ele ou então outra pessoa se encarregue de o executar. Salazar insistiu e acabou por se explicar: Não posso aplicar o seu programa tal como o propõe porque os sustentáculos do seu governo se opuseram seriamente a algumas medidas. Adriano desistiu e o programa não foi por diante. A resposta de Salazar prova que, apesar da fama de ditador para o povo, tinha de negociar quaisquer medidas que brigassem com os interesses que o apoiavam. Conclusão: Houve, há e haverá sempre «famílias» em todas as áreas da governação, sejam pelo sangue, pela oportunidade ou pelo dinheiro. Por razões de ordem natural – mormente bio genéticas – o ser humano não pode possuir os atributos que as religiões outorgam a seu Deus, i.e., omnisciência, omnipresença ou omnipotência. O homem é aquilo que é: animal cárnico quente, perecível, que sobrevive pela ingestão de plantas e de outros seres, exatamente como sucede a qualquer outro animal, diferenciando-se, justamente, numa memória muito mais ampla e nas possibilidades mecânicas de articular sons e fazer objetos. E estas pequenas diferenças têm-nas usado, estupidamente, na destruição sistemática do próprio ambiente que lhe fornece grátis todo o alimento que lhe é vital. .
Não refiro a «verdade» como sinopse circunstancial de acontecimento ocorrido num momento do passado temporal.
Refiro as constatações axiomáticas que Chomsky considera firmes e convidava-o, se tal me fosse permitido, a debruçar-se sobre uma questão realmente relevante e latente: o caos substancial, por definição original, movimento gerador de indizíveis e irreduzíveis factos que atenuam ou agravam a perpretação de outros factos, fenómenos constitutivos de um certo estado das coisas no continuo. Logo, o facto e as «verdades» da sua circunstancialidade.
sábado, 5 de abril de 2014
O esforço que as pessoas fazem para encontrar explicações que apaziguem a ânsia gerada pela contradição de atitudes e decisões de quem governa e opiniões de quem não governa tem sido sempre tão prolífero como inconsequente. Não foi a realidade do Todo - que a ciência fatiou em disciplinas geográficas: física, botânica, mineral, zoológica, económica, comercial, politica e, enfim, histórica - que deu origem a sistemas sociais tão opostos como o nazi e o democrático? E o surgimento do democrático por acaso evitou os mesmíssimos problemas que pretendia sanar? Talvez por isso as tentativas de «retificar» os «sistemas» do sistema não resultem. É como se a aplicação de remendos novos em saco velho garantisse o saco um dia vir a ser novo! Pura ilusão. Parece que o caminho deveria ser outro.
quarta-feira, 5 de março de 2014
2014 03 05
Determinação ou solidariedade?
A realidade humana é a determinada pela «força» - seja isto o que for - da sobrevivência. São raros os seres possuidores da possibilidade de em alguma maneira a superar, marcando a diferença, enfrentando a adversidade, mantendo-se solidários com os outros. São tão grandes e tão raros que se perdem na neblina das necessidades urgentes: alimentação, continuação da espécie e finalmente do descanso que implica abrigo. Se fosse de outra maneira como se explicaria que passados milénios de filosofia moral e ética os comportamentos e atitudes de hoje em não difiram do passado primordial dado como conhecido?
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
A morte em solitário
20131114
Veio na comunicação social. Aconteceu no país que nos habituámos a dar como exemplo de excelência na organização social particularmente na área dos serviços de saúde e apoio aos seus cidadãos.
Este caso tornou-se notícia porque um cidadão emigrante (desde 1981) argentino esteve dois anos falecido de morte natural na sua casa modesta num subúrbio de Bagarmossen – distrito de Stockholm, Suécia.
Recorde-se como a notícia de uma senhora idosa falecida de morte natural nos arredores de Lisboa e encontrada nove anos depois alarmou o país. Todos se interrogaram de como foi possível!?
Sabe-se que os serviços camarários recolhem regularmente corpos de pessoas falecidas, em suas casas, descobertas por vizinhos ou familiares quando se dão conta do seu desaparecimento e as procuram.
Naturalmente, em todas as regiões do mundo estes casos são decorrentes, com exceção provável nos grupos que vivem na Natureza sem os artifícios citadinos. Nesses grupos o desaparecimento de qualquer membro não passa despercebido um dia quanto mais anos.
Essa atenção deve-se aos laços profundos de aproximação, vivência e empatia ao haver menos distrações e artificialidade nas inter-relações comunitárias e também por um maior cuidado em satisfazer atempadamente as necessidades de sobrevivência inerentes a quem vive em plena Natureza.
A morte faz parte da existência e pode surpreender nas situações mais insuspeitas. Logo, seja em que momento for o ser humano num qualquer dia, desconhecido, estará frente a frente com ela. E sozinho.
domingo, 27 de outubro de 2013
O homem - pertença exclusiva da Natureza Terra - é dominado por necessidades vitais - o alimento que só a Terra prodigaliza, o descanso noturno que o recupera e a procriação que o realiza - e por anseios emocionais - a liberdade e a fraternidade que lhe dão a razão de viver. O sistema social passado e vigente que impõe a negociação de todas as coisas inclusive os necessidades mais básicas do existir, não satisfaz e, curiosamente, nem ao considerado rico nem ao dado como pobre. Logo, algo necessita de ser meditado e sugerido. Cerca de sete milénios de história conhecida ou julgada estão passados e o sistema manteve a mesma estrutura social em sucessivo atualizada nos reinos do sofisma e da retórica. Matar com um machado de sílex ou com uma bala de ouro é basicamente igual. É fatal que seja assim ou pode ser alterada? Esta a razão do título: a inconformação perante a continuação do sistema e a recusa de considerar a Natureza autora/ fomentadora da banditicidade dominante, ou seja, não basta nascer homem para ser reconhecido como tal. Afinal, quem é o autor deste sistema, a própria Natureza ou o seu diferenciado Animal Homem? "
quinta-feira, 25 de julho de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
A criatura humana é muito exigente no que se refere à sua sobrevivência. Entusiástica, prega direitos, liberdades, fraternidades, descobertas, construções, porém, quando apertada pela sobrevivência, cuidado. Esta é a realidade, melhor dito, é a realidade do Mundo. A Natureza no seu permanente estado de transformação, convulsiona-se, encharca-se sem medida, abrasa-se às cinzas. Se assim é, então, na semelhança, a ambição humana de transformar tem de colocar como objetivo supremo não a transformação pela transformação em si mas o seu resultado: partilhar para a sobrevivência do Todo: todos devem ter acesso aos mínimos que a ciência vende e aos máximos que a natureza prodigaliza, grátis. De outra maneira, como é possível a criatura sentir-se parte do todo?
quinta-feira, 13 de junho de 2013
- Uma sociedade asfixiada por mentiras
Portugal vive hoje intoxicado por duas mentiras colossais. A primeira é a ideia, repetida à exaustão, de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, compraram bens de consuma que não deviam e a que não teriam direito. São acusados de terem gozado férias caras, adquirido automóveis sem necessidade e não terem resistido a todo o tipo de brinquedos tecnológicos, dos telemóveis aos sofisticados tablets. Diz-se ainda que tiveram este comportamento reiteradamente e de forma descontrolada ao longo de anos e anos. Esta seria a razão da nossa desgraça, o motivo do défice e da dívida. Nada mais falso. Um embuste.
Quem viveu e esbanjou muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política portuguesa e seus apaniguados. Muitos foram e são os que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do Estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de boys, criaram institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasmas. Atrás deste regabofe veio uma epidemia fatal: a corrupção. Os casos de corrupção sucederam-se ao longo das duas últimas décadas. a Expo 98 transformou uma área degradada, com terrenos contaminados e armazéns ao abandono, numa nova cidade, moderna e sofisticada. In Da Corrupção à Crise, Paulo de Morais, Gradiva, Lisboa, 2013.
terça-feira, 21 de maio de 2013
A História repete-se?
É pela constatação das repetições da Natureza que o homem constrói um saber estruturante que o domina mas lhe satisfaz designar por ciência e progresso. Porém, no trajeto do seu tempo histórico - que entusiasmado vai narrando a si mesmo - a repetição mantem-se pelo facto de o homem ser sempre o mesmo, exceto, na relação que cria e recria com os objetos que fabrica. Parece, portanto, que o tão elogiado progresso, afinal, se restringe a umas quantas normas para controlar o uso que faz dessas mesmas coisas. Hoje, como no quinto milénio a.C., Egipto, Caldeia e outros, a escravização que uns poucos exercem sobre muitos mantem-se... similar. Parece, pois, que a História é isso e só isso.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
I – À Procura da realidade
Na antiguidade o estudo da realidade incidia sobre «o que é isto», quem era o sujeito, procura designada pelo termo grego Episteme. No Renascimento a procura filosófica ensaiou métodos mais empíricos de algum modo inspirados nas novas teorias de Copérnico que destruiu a estática visão do mundo medieval, ao substituir a sagrada revelação da Terra como centro do universo pelo sistema heliocêntrico resultante de observações científicas. Na esteira destas descobertas surgiriam outros investigadores, como Galileu, Gilbert. Kepler, Newton, Hobbes, que confirmariam as deduções de Copérnico. Destes matemáticos, astrónomos, geómetras e filósofos, surgiria a ciência moderna. Simultaneamente, René Descartes compõe as obras Discurso do Método e Meditações.
Desenha-se assim, uma nova abordagem da realidade: ao lado da linha filosófica tradicional da Episteme grega empenhada na indagação da causalidade e da metafísica do ser o «que é a coisa», até ai dominante, surge a ciência – moderna - que investiga as leis da natureza e suas determinações de modo a erguer estruturas teóricas com efeitos semelhantes aos naturais. Todas as ciências tenderiam deste modo a repetir a natureza, mas numa tal dimensão humana, em que o homem pudesse decidir dos seus efeitos quando, onde e como lhe aprouvesse. Ou seja, o homem procura abandonar o papel passivo de habitante subjugado às determinações do mundo natural para assumir o de fazedor do seu próprio destino segundo a sua vontade.
domingo, 22 de julho de 2012
As pessoas lutam para reencontrar familiares que não conheceram por qualquer motivo fortuito. Dos militares que saíram em missões e por lá ficaram, fazendo e desfazendo vidas ao sabor dos acontecimentos, dos civis que correram mundo buscando algo que o fluir energético da vida lhes facultava ou não. Não temos domínio sobre o que nos acontece.
A convicção antiga de que cada um tem a vida que escolhe não corresponde minimamente à verdade histórica. Se falamos de reis, eles «quase» levaram a vida que quiseram. Mas quantas vezes a ambição de países vizinhos e mesmo de familiares próximos ou afastados os obrigaram a enveredar por soluções que nunca antes imaginaram e muito menos desejaram?
Essa espécie de futuro previsto e programado criou, ou permitiu, a crença de que o homem dispõe da sua vida como lhe aprove. Crença falsa e só aceite por crédulos pouco dados à observação e ao pensamento. Basta observarmos a natureza. Basta falarmos com qualquer agricultor analfabeto para compreender como eles vivem e aceitam a vida como ela se apresenta dia após dia. De facto, as suas previsões de plantações e sementeiras são baseadas na experiência de anos anteriores. Sabem por experiência que depois do tempo quente vem o tempo frio e que estas duas épocas surgem regularmente após uma espécie de períodos de transição batizadas de primavera e outono. Ou seja, nada na natureza ocorre de súbito. E nós, os seres vivos pensantes, tal como os restantes menos pensantes mas sem os quais não há ambiente, como por exemplo as plantas, dependem em absoluto dessa rotina natural de pequenas mas constantes variações. Portanto o ser humano por muito que pretenda, não pode, quer na essência quer na substância, ser coisa diferente daquela que a própria natureza é. E, curiosamente, a natureza move-se sempre na mesma direção, a que lhe garante a perpetuação de si mesma! Ela e só ela, sem se deter com «problemas» como as brotações, vegetais ou carnais, que em dado momento acontecem na maior ou menor perfeição no seu seio: a natureza alimenta-se com tudo o que ela própria cria ou transforma. Ou seja, a natureza recicla-se permanentemente. É a maneira de se perpetuar. O homem não pode fazer nada diferente. Por muito orgulho que tenha no que faz, não passa de um pobre imitador.
Parece pois elementar compreender-se que os seres vivos não são seres independentes. Não existem por si. Existem por causa de tudo o mais que existe; concomitantemente.
Se isto é verdade, como parece, então o que é essa coisa do futuro, essa «vontade» de querer modelá-lo a nosso belo prazer ou desprazer?
A história é um arquivo morto mas o único que, mitigando, atesta os fracassos do querer humano, dos seus projetos e sonhos, das suas ilusões e dominações, das suas paixões e desilusões. Os seus escribas tiveram como objetivo referir apenas as partes melhores, como sucedeu com as descrições dos reinados de reis e imperadores. Todos tinham de gravar na história a grandezas dos seus senhores para manterem a cabeça sobre os ombros. Ainda hoje as reportagens televisivas selecionam as imagens de acordo com a mensagem determinada pelas forças governamentais. Já reparaste em como só apresentam as ruínas das habitações e os corpos mortos ou estropeados das classes desfavorecidas? O lado sumptuoso das cidades habitadas pelas elites, embaixadores e tycoons, nunca aparecem a não ser o pequeno retângulo da porta de entrada, de um hall e pouco mais. Ou seja, a mensagem é: «agradeçam-nos (ao governo) e sintam-se sortudos por não viverem como estes infelizes incivilizados, incultos e sem liberdade.
Este panorama do mundo é interiorizado pela grande maioria das pessoas que raramente questionam a sua autenticidade, não das imagens mas daquilo que, sistematicamente, elas não mostram.
Estas mensagens subliminares convencem as pessoas de que são culpadas por não irem mais além do que são, ou por outras palavras, se não desfrutam de melhor nível de vida é porque não querem ou, pior ainda, porque não têm capacidade para ser outra coisa. Portanto, têm o que a sua pequenez lhes permite ter. Os governos não têm culpa nem dos frutos belos nem frutos mirrados. Se querem ser mais têm de estudar nas escolas preparadas para esse efeito e, claro, preencher os requisitos que esses outros que vivem lá nos altos das pirâmides preencheram em quantidade.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
A primodialidade do Ser Humano -
SE, considerarmos o Universo como constituído por ínfimas partículas fulgurantes, materiais, indestrutíveis e inassimiláveis entre si porque teriam massa, imateriais porque seriam invisíveis, conduzidas por uma razão-força intrínseca e imperscrutável, então, o Universo assemelhar-se-ia a um espaço fluído de extensão indetectável onde essas fulgurações possuiriam ou receberiam em algum momento instruções acerca de como, onde e quando se aglomerariam numa determinada forma física.
De alguma maneira se reconheciriam entre si, por um sinal ou outra comunicação própria e, assim, mutuamente identificadas, se ligariam na constituição de órgãos e corpos compostos: desde os celestes às plantas e aos seres terrestres os quais, logicamente, passariam a conter em si mesmos todas as qualidades dessa razão-força que inere do espaço-magma. Ou seja, possuiriam as mesmas qualidades e determinações primordiais vitais que animam a vida sensitiva e cognitiva tal como a conhecemos.
Se, as partículas fulgurantes livres no espaço fluído possuissem em si essas qualidades e só «aguardariam» que a razão-força determinasse a forma de se aglomerarem, então, enquanto aglomeradas, actuariam concordemente com a forma adquirida, como corpos celestes como o terrestre. Se, assim for, então ainda são as fulgurações que constituiriam os neurónios cognitivos que conformam o cérebro centro de toda a informação recolhida pelos sentidos e comandante das ações inconscientes, conscientes e acções motoras e, concomitantemente, fonte da imanência a que chamamos pensamento.
Ora, se o pensamento resulta da imanência dum composto material de fulgurações aglomeradas na forma humana, o magma universal composto por iguais fulgurações - mesmo que não se lhe divise forma humana - possuiria essa capacidade imanente a que chamamos pensamento. Se assim for o universo não seria uma «massa» obtusa, insensível e incognoscente.
O homem possuiria capacidade semelhante de projectar modulações alterantes no interior e exterior do corpo e espaço circundante.
A Imanência resultante do caldo composto pelas fulgurações seria semelhante a nível universal: se o homem pensa e actua então o universo, se primórdio de todas as coisas, pensaria e actuaria espontânea e consentâneamente com o seu magna do mesmo modo que o homem sente e pensa consentaneamente com o seu corpo-magna.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
No oriente as capacidades do ser humano desenvolveram-se a partir da necessidade religiosa congruente com as condições geográficas do seu habitat.
De certo modo algo semelhante aconteceu no ocidente céltico e mediterrânico: as mitologias foram inerentes às necessidades religiosas dos caracteres humanos residentes nesses territórios.
Provavelmente, o mesmo sucedeu noutras zonas do planeta como a africana, sul-americano, malásia e outras.
Se assim é a característica religiosa factual do ser humano depende fortemente da área geográfica de nascimento.
Porém, os gregos voltaram-se para a indagação: tudo isto é mesmo obra de deuses? E, duvidando, empenharam-se na procura da resposta para a pergunta «o que é?». E, depois deles, todo o mundo passou à procura da resposta.
Dessa dúvida nasceu a civilização da «coisa» bem distinta da anterior transcendentalidade: não mais espiritualidades nem poderes divinos ocultos. Tudo são coisas, tudo tem preço, tudo se compra ou se vende. É uma questão de conveniência.
Foi Einstein quem apaziguou o dilema recordando que, afinal, tudo é relativo!
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